Um
Guarda-chuva
Certa vez uma doce
menina que amava tudo e todos ao seu redor, até a chuva e não se importava em
se molhar, adorava a sensação de se sentir livre, mas os outros ao seu redor
sempre a julgavam –Está sempre molhada! Parece uma maluca rindo enquanto corre
na chuva! - E de tanto falarem... ela comprou um guarda-chuva.
Era um lindo
guarda-chuva, colorido e divertido, a doce menina pensava que era o ideal para
ela, e logo ao enfrentarem a primeira chuva juntos ela ficou certa disso. Porém
com o passar do tempo ela percebeu que não possuía um guarda-chuva qualquer ou
sequer possuía ele, ele a possuía quando falava e mandava na menina.
O Guarda Chuva não
gostava quando era esquecido no fundo da bolsa enquanto ela corria
divertindo-se na chuva –Vão pensar que você não possui guarda-chuva- ou – Sou o único que quer seu bem, a chuva
ira lhe deixar doente e na pior- ele dizia enciumado.
Quando ela protegia
seus amigos mais próximos embaixo do que ela pensava ser seu guarda-chuva e seu
protetor, ele se fazia de teimoso, não querendo abrir e deixando a agua molhar
as pessoas que deveriam ser protegidas.
Mas o guarda-chuva era muito esperto e toda vez
que caminhavam juntos na chuva ele dizia – Possuo um sonho que só você e apenas
você pode me ajudar a realiza-lo...
Quero voar como um pássaro, mas não posso ir sozinho, preciso de você pra
isso... Me ajudaria a realizar meu sonho meu amor?-. Ele repetia isso toda vez
que estavam juntos, mas a doce menina tinha medo, medo de altura, medo de cair
e ele não ser capaz de segura-la... Mas com toda a persistência ela concordou
com a proposta.
Sendo assim, subiram até o precipício mais alto enquanto
caía a chuva mais forte, ela logo quis desistir de toda a ideia –Vamos embora,
é muito alto e não quero isso-. Mas, ele fingiu que não ouviu, e na primeira
ventania saiu puxando a menina que nem tentou fugir de tanto que o amava,
gostaria de realizar seu sonho mesmo sendo contra sua vontade. Logo ela foi
suspensa no ar, o guarda-chuva gritava, comemorando seu sonho prestes a se
realizar.
Até que, no meio do caminho para o céu, ele a
largou, ela tentou se segurar, mas ele a ignorou. E enquanto caia na escuridão
em meio a chuva ela percebeu que, ele só a queria para o ajudar a realizar seu
sonho, mas não a queria na hora que fosse realizado.
A menina doce e risonha, não sorria mais, não
amava mais e tudo a chateava, principalmente sua antes amada chuva, ela não
usava mais guarda-chuva mas sim uma triste capa de chuva, sem cor, sem vida
igualmente como a menina.